02 décembre 2004

Cansaço

Hoje sinto algo de estranhamente pesado cá dentro, um ninho feito das meadas daqueles pensamentos a que chamas absurdos. Talvez o sejam. Mas hoje eles pesam-me, cravam-me os pés na lama dos meus invernos pálidos, magros de silêncio...Onde a ventania se emaranha nas borboletas feridas do meu delirio. Gira, gira..definha e balança sobre a minha cabeça. Sussura-me solidão..promete-me absurdos. Jura-me Paz. Sim. Paz!

E nem tu me ouves, tens me como louca. Mas meus delirios sao meus. Meus invernos solitários pertencem-me. E as vozes falam para que eu as oiça. Gritam para que eu as oiça! A lama onde me enterro é minha! Pertence-me como eu lhe pertenço a ela. Minha!
Eu pertenço-me! Não a ti, nem aos teus. Nem a ninguém. Sou o absurdo que enterras nessa tua terra esteril! Odeias-me porque não me terás nunca, porque as teus pulsos fracos não me podem prender! Enterra os pregos do teu velho mundo em mim! Prega-me teus livros bafientos, que cheiram a insenso e a óstia. A mofo. Amarra-me, prende-me. O absurdo da minha liberdade perturba-te. Tranca-me algures e espera que apodreça...

Não te pertenço. Pertenço à miragem febril do absurdo que me acompanha. Ao delirio que me mantem viva, onde a minha liberdade não tem fins nem principios.

Existo em mim. Não em ti, nem para ti ou para os teus.