26 mars 2005

Volúpia Divina

shhhhh... Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio Silêncio..SILÊNCIO.SILÊNCIO.SILÊNCIO! SILÊNCIO! SILÊNCIO!

CALEM-SE AS VOZES PARA QUE EU GRITE.
Porque não me ouvirás se não gritar. Não saberás que existo se não me deixar crucificar humildemente, se não me erguerem perante vós moribunda, nua e ferida. Amor? "Amai as minhas chagas, o meu sofrimento, a minha cruz!" e eu grito para que me possas sentir, porque não sentes senão uma confortável pena...Sim, essa mesiricordiosa piedade..Mas não estou ferida. Não estou doente. E não há cruz para que me possas erguer em lugar algum. E não desejo o teu bem, e não darei a outra face jamais; mas decido se vives ou se morres, gero vida dentro do meu útero cárneo, libidinoso e tépido. E choro. Volúpia divina lateja na minha carne enquanto penso no quão frageis sois, e entrelaço as minhas mãos nas vossas gragantas cândidas, aperto mais um pouco e espero. sim, há algo de divino nas vossas faces inanimadas, no vazio do olhar que arrefece, fixo num ponto perdido no horizonte.

Escutai agora o silêncio.