Sem Título
Caminha comigo descalça, vinga-te da ilusão em que te baptizaram, pobre criança. Molda a terra nas tuas mãos, abriga-te da chuva junto das macieiras prenhas de vermelhos doces. Nada nua no riacho, e deixa-me ver que cresceste ávida e virgem, e que escorrem ventanias de perfume ebrúneo pelas curvas gentis e libidinosas dessa volátil juventude, estreita de inocência.
Mas ignora-me, minha pretenciosa criança, pois também eu sou um fraco corrompido pelo desafio da carne, pelo prazer que jorra dessa tua fertilidade volupta, com a doçura das lágrimas que choras sozinha, inundadas por uma dor provocadora, corada de calor.
Sim, desejo voltar a beber delas a sincronia das estações, escutar a tua respiracao rápida, apaziguar-te e acarinhar os traços etéreos que te contornam, perder-me pela sinuosa dádiva de um grito saciado, de mais um ciclo cumprido...
...E ver-te fechar os olhos de ambár antigo e sonhares, cobrir-te com um lençol branco-nuvem e seguir caminho.
Mas ignora-me, minha pretenciosa criança, pois também eu sou um fraco corrompido pelo desafio da carne, pelo prazer que jorra dessa tua fertilidade volupta, com a doçura das lágrimas que choras sozinha, inundadas por uma dor provocadora, corada de calor.
Sim, desejo voltar a beber delas a sincronia das estações, escutar a tua respiracao rápida, apaziguar-te e acarinhar os traços etéreos que te contornam, perder-me pela sinuosa dádiva de um grito saciado, de mais um ciclo cumprido...
...E ver-te fechar os olhos de ambár antigo e sonhares, cobrir-te com um lençol branco-nuvem e seguir caminho.
