VII - O Tango
Enquanto engulo traças de cera, mexidas com o leite talhado do pequeno almoço, penso se devo apressar-me. Vem-me à boca um pouco do jejum da noite anterior e quatro notas de um texto que se escreveu enquanto dormia. Saio para comprar pão. Bolor e amoras. Abri os estores para sair. Mudaram outra vez a merda das escadas de serviço de sítio. Rameiras velhas. Ainda tenho uma porta algures num destes cantos. A chave...Eu sigo-lhe o cheiro.
Falhas de madeira e tu dançam parados no chão, um...dois...três...É um tango! Não é o teu forte, mas pintaste os olhos para me agradar - sabes que eu gosto, ficas com uns ares finórios. Pena a luz não te favorecer. Sabes que és para ser vista de olhos fechados, com as mãos atadas e varejeiras vestidas de borboletas a lamberem-te o vinho do corpo. Na mão direita, 7 sementes e uma tesoura de podar. Como daquela vez, lembras-te? Mas tu insistes. Não suporto que insistas; E estás fora de tempo. Assim...um, dois...três...
Que se lixe o pão, vou ensinar-te a dançar. E depois vingo-me das rameiras velhas. Só por ti.
Falhas de madeira e tu dançam parados no chão, um...dois...três...É um tango! Não é o teu forte, mas pintaste os olhos para me agradar - sabes que eu gosto, ficas com uns ares finórios. Pena a luz não te favorecer. Sabes que és para ser vista de olhos fechados, com as mãos atadas e varejeiras vestidas de borboletas a lamberem-te o vinho do corpo. Na mão direita, 7 sementes e uma tesoura de podar. Como daquela vez, lembras-te? Mas tu insistes. Não suporto que insistas; E estás fora de tempo. Assim...um, dois...três...
Que se lixe o pão, vou ensinar-te a dançar. E depois vingo-me das rameiras velhas. Só por ti.
Libellés : tango amoras

0 Comments:
Enregistrer un commentaire
<< Home