V - O Tecto
Cinco quartos e trinta e dois segundos para lado nenhum.
Retoco a distância entre o fim e a parede.
Estico-me e sinto o frio da cabeceira de ferro com os pés. Na ponta dos dedos o tecto. Debaixo das unhas um sonho escarlate e terra. E urgência.
Desenho a febre no papel de parede com a aguarela que acumulo debaixo da língua quando penso em ti.
Um vómito.
Controlo a respiração e deixo-me cair de costas pelos lençóis dentro. O coração bate 5 vezes antes de chegar ao fundo e emergir do outro lado.
Lado nenhum.
Retoco a distância entre o algeroz e o sonho.
Nas mãos a tinta escarlate do meu vestido. No tecto um Cristo de aspirina.
Retoco a distância entre o fim e a parede.
Estico-me e sinto o frio da cabeceira de ferro com os pés. Na ponta dos dedos o tecto. Debaixo das unhas um sonho escarlate e terra. E urgência.
Desenho a febre no papel de parede com a aguarela que acumulo debaixo da língua quando penso em ti.
Um vómito.
Controlo a respiração e deixo-me cair de costas pelos lençóis dentro. O coração bate 5 vezes antes de chegar ao fundo e emergir do outro lado.
Lado nenhum.
Retoco a distância entre o algeroz e o sonho.
Nas mãos a tinta escarlate do meu vestido. No tecto um Cristo de aspirina.
