04 mars 2008

V - O Tecto

Cinco quartos e trinta e dois segundos para lado nenhum.

Retoco a distância entre o fim e a parede.
Estico-me e sinto o frio da cabeceira de ferro com os pés. Na ponta dos dedos o tecto. Debaixo das unhas um sonho escarlate e terra. E urgência.

Desenho a febre no papel de parede com a aguarela que acumulo debaixo da língua quando penso em ti.

Um vómito.

Controlo a respiração e deixo-me cair de costas pelos lençóis dentro. O coração bate 5 vezes antes de chegar ao fundo e emergir do outro lado.

Lado nenhum.

Retoco a distância entre o algeroz e o sonho.

Nas mãos a tinta escarlate do meu vestido. No tecto um Cristo de aspirina.